As manchas de tinta fresca na parede o dopavam de alguma maneira
Pedro era do tipo que gostava fácil
Que lavava o prato sem reclamar
Antes de dormir orava baixo
Brincava de sonhar enquanto lidava consigo
Mas o quadro pintado na parede ainda o incomodava
Suas almofadas pareciam ter sido tingidas com sangue
Pedro ouvia ruídos ao longe, talvez no fim da rua
Conversava com seus gatos surdos
Morava só em si, na parte de cima de dentro do armário
Limpava os prantos sem dor, esperando seu ocaso
Mas ainda assim, o quadro na parede o incomodava
Como se fosse aquele velho ranger desafinado de um carro acabado passando na rua
Pedro a amava
Pintou a dedo a musa de seus pesadelos mais medonhos
Aquela que fugiu sem ver a flor que brotara no jardim
Morreu a fome de tudo que era doce em Pedro
A fantasia cafeinada deve vir de algum lugar
Pedro rasgou o quadro da parede
Dividiu-o em pedaços bem menores que sua saudade
Só então sentiu falta do quadro, da dor e dela
Só então percebeu que do quadro saiam seus restos mortais mais sinceros
Transformados em tinta, pó e sangue pra guardar o que se foi.
(Bruno de Santana Cruz, 13/03/2013)
Como se fosse aquele velho ranger desafinado de um carro acabado passando na rua
Pedro a amava
Pintou a dedo a musa de seus pesadelos mais medonhos
Aquela que fugiu sem ver a flor que brotara no jardim
Morreu a fome de tudo que era doce em Pedro
A fantasia cafeinada deve vir de algum lugar
Pedro rasgou o quadro da parede
Dividiu-o em pedaços bem menores que sua saudade
Só então sentiu falta do quadro, da dor e dela
Só então percebeu que do quadro saiam seus restos mortais mais sinceros
Transformados em tinta, pó e sangue pra guardar o que se foi.
(Bruno de Santana Cruz, 13/03/2013)