sexta-feira, 19 de julho de 2013

Eu, mentiroso

Eu reconheço um mentiroso a uma légua de distância
Rodeando as fogueiras de aldeias fantasmagóricas
Conheço seu cheiro imundo, suas imagens aleatórias
E suas falácias esbanjadoras afirmando a comunhão

Desconjuro todo bem que me fizer um mentiroso
No final do dia, do ano, da vida, não me servirá de nada
E por mais que o espanquemos, ele sempre sairá como fumaça
Vagando a eternidade do supremo saber, ah mentiroso!

Eu conheço um mentiroso atravessando a rua
Sentado na praça, na fila de um banco, tocando violão
Eu conheço tanto um mentiroso, que seria eu até um deles
Sentado na máquina, relendo antigos versos, roendo minhas unhas
Fazendo meus castelos, seria eu, eu mesmo.

(Bruno de Santana Cruz, 19/07/2013)

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Amor retificado

Era dois em dois
Como dois em dois da certo
Depois era o caos
Como o mal vem, pra um lado ou pro outro

Depois eram flores
Como rosa em rosa cega, fere, fisga e encanta
E o resto era flash, quarto fechado, mão que afaga
E o mundo, era pequeno demais pra mim
Enorme demais pra você

E o beijo também era enorme
Enorme que dorme e cobre
E o ouro desafio, sossego e retidão
E o mau se foi por mar
Como em céu e terra, sempre haverá de ser

E o raio era eclipse, num clipe de papel
Então eram outros risos, outras formas de ver você
E agora somos nós dois, de um lado, no mesmo canto
Sossego é nosso encanto, a carne, o verde, o encarte
E a escuridão faz parte, dos sonhos que hão de vir.

(Bruno de Santana Cruz, 11/07/2013)

terça-feira, 9 de julho de 2013

Vertigem

Não me disse pra fugir
Quando por deus, jurou ser sincera
E o lapso abismo teátrico
Desmancha o contato carnal

Mas só não se perca
Por onde imagina não me encontrar
Que em partes de terra eu sou teu final
Provérbio, vereda, origem do caos

(Bruno de Santana Cruz, 10/07/2013)