quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Mortal

Você não sabe o que quer
Até lembrar-se do que queria
De um modo ou de outro
As ruas se rendem umas as outras
E se beijam no final da esquina.

Ela me levou a lugares novos
Apresentou-me a pessoas
E aprontava-me o café, todas as manhãs
Cordialmente, rendia-me alguns afagos
Destilava-me minunciosamente
E o fazia tão bem que eu não notara
Até estar desproporcionalmente decomposto
Era, de fato, um palhaço ultrapassado, nas ruínas do novo mundo.

Uma única luz iluminava a rua
Talvez fosse esta apenas, que iluminasse meus sentidos
Percebia os carros, as flores, a rota, a selva, tudo em volta do que era fútil
Atrevia-me a contar teus sinais, tuas voltas e com o tempo, já saberia o mapa de cor de teu corpo
Onde gemias, onde chorava, onde gritava e até o que lhe fizesse sorrir
Com mais tempo ainda, já fazia espontaneamente
Através de teus desvios, desviava eu, minhas intenções
Perversas.

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