segunda-feira, 11 de março de 2013

Chuvas de dezembro

- “Sua barba é boa!”.
Suspirou ela
Depois sorriu, possivelmente tentando entender o que estava fazendo
O cheiro de vinho barato amortecia a queda
Afastava a preocupação com o depois

- “E você é linda!”
Emendou ele, apostando uma possível resposta
Sorriu também e a beijou, sem uma deixa pra comentários
E assim bordaram o resto do dia, sem saber se realmente estavam bem
Se estavam vivos, ou se estavam na terra

A cama permanecia quente
Mas agora eles dançavam lá fora, na chuva, na lama, pra curar o mal
Pra lavar o sal do suor e fazer suas preces
Mataram suas dores, se doaram e entoaram outras canções

Até hoje não sabem o que se passou, ou fingem muito bem
A métrica cética nunca lhes funcionou
Talvez nem soubessem somar, só olhar...
Um ao outro, o sol posto e a lua por fim, luz.

(Bruno de Santana Cruz, 11/03/2013)

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